Trabalho no setor automobilístico há quase quatro décadas e fico me perguntando se estarei vivo no dia em que o título desta matéria se tornará realidade. Tenho viajado a várias partes do mundo para participar de eventos automotivos. Esse ano estive no Salão Internacional de Nova Deli, na Índia e na convenção dos concessionários americanos em Orlando, nos Estados Unidos.
Já visitei mais de 40 países, e em quase todos os eventos ouço a mesma pergunta: porque o Brasil não tem a sua própria marca de carros? Sempre procuro uma explicação, mas nunca encontro uma boa justificativa. Deve ser porque não existe mesmo um bom motivo.
O que eu sei é que somos o quinto maior mercado automobilístico do planeta; temos ótimos engenheiros, designers, administradores, empresários...; a cada dia uma nova multinacional diz querer investir em nosso mercado; que sabemos construir navios, trens, aeronaves, rodovias, retirar petróleo do pré-sal etc. O que falta então para termos um carro genuinamente brasileiro?
Quando leio nos jornais, como li esta semana, que a Toyota (ou qualquer outro fabricante) iniciará a construção de uma nova fábrica no Brasil, fico muito feliz, pois significa que a marca acredita em nosso potencial, vê um bom futuro para o nosso país, além de gerar emprego e divisas para todos nós.
Mas volto a me indagar: não seria melhor se fosse investimento nacional? Não seria melhor se fosse? Nós brasileiros teríamos muito a ganhar com a nossa própria fábrica de veículos. Com uma forte concorrência doméstica o governo poderia reduzir a carga tributária sem temer aumento de preços. Com preços menores, venderíamos mais veículos, poderíamos explorar o mercado internacional como faz tão bem a Petrobrás, Embraer e tantas outras organizações que tanto nos orgulha.
Na verdade, eu vejo muitas vantagens e não consigo perceber tantas desvantagens. É claro que a competição e o risco existem, como em qualquer negócio, mas isso o administrador brasileiro sempre soube avaliar. Naturalmente, fabricar carros exige muitos investimentos em tecnologia, pesquisa, financeiros etc.
Porém, se oferecemos incentivos milionários a novos entrantes, se há financiamentos bilionários para subsidiar algo temporário como a Copa do Mundo de 2014, os Jogos Olimpicos de 2016, e tantos outros eventos de grande envergadura, porque não haveria recursos para gerar mais emprego e melhor futuro aos brasileiros?
Eu sempre achei que o governo Lula, que teve a sua origem no chão de uma fábrica automotiva, poderia mudar a nossa história, inserindo o Brasil neste tão significativo mercado que é o automobilístico. Mas confesso que estou cada dia mais desiludido. O que me salva mesmo é a crença no famoso dito popular: “a esperança é a última que morre”. Então, enquanto eu viver, manterei a esperança de que chegará o dia em que escreverei a frase do título desta matéria não como ficção, mas como realidade, para alegria dos verdadeiros brasileiros que torcem e acreditam na força e grandeza do Brasil.
Ótima semana,
Evaldo Costa
Diretor do Instituto das Concessionárias do Brasil
Escritor, consultor, conferencista e professor.
Autor dos livros: “Alavancando resultados através da gestão da qualidade”, “Como Garantir Três Vendas Extras Por Dia” e co-autor do livro “Gigantes das Vendas”
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