Publicado em 21/05/2010
O Brasil se move para a tração elétrica
Créditos por Equipe Triciclo Pompéo

O Brasil se move para a tração elétrica

Curitiba, 21.05.2010 

Enquanto o mundo assiste às discussões sobre mudanças climáticas e redução de emissões de gases de efeito estufa, a indústria e os capitalistas preparam-se para o possível novo ciclo de riqueza que poderá ser gerado pela economia verde.

O transporte não fica de fora, uma vez que se trata de uma das atividades que mais consomem combustíveis não renováveis cuja queima emite carbono, particulados, ruídos e outros males. Os salões e exposições, em todo o mundo, mostram lançamentos e geram grande especulação sobre o futuro da indústria automotiva. Governos lançam planos de incentivo para o desenvolvimento de veículos, componentes, e subsídios para a troca de veículos convencionais por modelos menos poluentes.

No Brasil, algumas iniciativas isoladas começam a surgir, engenheiros, pesquisadores e empresários reúnem-se e discutem com o governo os incentivos locais, necessários para que o país não somente acompanhe de perto esta tendência, mas se beneficie e desponte como um participante de peso neste jogo, com suas credenciais de energia limpa, grande mercado comprador e produtor de automóveis, economia robusta e emergente.

Nos dias 11 e 12 de maio, o BNDES reuniu em sua sede, no Rio de Janeiro, debatedores para dissertar as principais pautas deste complexo assunto, quais sejam: energia, componentes e veículos. Além de especialistas, pesquisadores, executivos e empresários dos setores correlatos, o encontro contou também com a presença de técnicos do BNDES, e de vários ministérios (MCT, MDIC, MF), envolvidos em um grupo de trabalho formado para propor maneiras de posicionar o Brasil nesse cenário.

Uma brilhante iniciativa, pois o encontro foi uma amostra do que se faz, e do que não se faz por aqui, com vistas ao futuro do transporte.

Resumindo bastante para nossos amigos, podemos dizer que infelizmente não estamos estudando baterias de lítio no Brasil, apesar de todos os especialistas terem concordado que, embora ainda não perfeita, talvez não com a tecnologia definitiva, as baterias de íons de lítio ainda são a melhor opção e deverão assim permanecer nos próximos anos. Precisamos disponibilizar esse importante componente no Brasil, aprender a fabricá-lo, reduzir seus custos, testá-lo e melhorá-lo. Surgirão outras tecnologias? Certamente, porém o mercado deverá premiar quem estiver fornecendo para os primeiros, com a oportunidade do crescimento e ganho de mercado. Façamos a ressalva para pesquisadores de São Paulo, que propõem uma nova tecnologia de baterias de chumbo, as bipolares, que terão certamente espaço em certas aplicações. O que assistimos são fabricantes reticentes diante de incertezas de mercado e, felizmente, assistimos a uma dinâmica muito própria nesse momento, que é o surgimento de novos agentes em novos negócios, e as empresas com forte vocação comercial e logística, como distribuidores que poderão ser “operadores” de energia acumulada, os quais poderão ser os “donos” das baterias que alimentarão nossos automóveis, as estações de recarga, tornando para nós os elétricos mais baratos e versáteis.

Em motores e componentes, a WEG sai na frente apoiando projetos, desenvolvendo seus produtos para a tração elétrica, e participando das sugestões de políticas governamentais. A Magneti-Marelli, que possui no Brasil, assim como a WEG, um importante laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento, também se movimenta, sabendo que os veículos elétricos possuem peculiaridades que serão melhor atendidas por quem participar do desenvolvimento dos projetos, e nestes projetos, a eletrônica embarcada faz o show!

Quanto às montadoras presentes (FIAT, RENAULT-NISSAN, GM, VW, MAN, além de nós da FIEL) , pôde-se observar cenário semelhante ao que se vê lá fora: aquelas que já têm produto ou projeto, muito animadas e confiantes com as possibilidades desse novo mercado, enquanto algumas consideram que os carros elétricos não são para agora. Será que as uvas estão verdes?

Acreditamos que as uvas estejam maturando, e os carros ficando verdes.

As iniciativas, se não vêm das montadoras instaladas no Brasil, têm sido fomentadas por empresas de energia como Itaipu e CPFL. Esperamos que outras se somem a esse esforço, visto que poderão ser as grandes provedoras do combustível: quais serão as novas sete irmãs?

Como sabemos, as empresas entrarão pesado ao vislumbrarem mercado. Por isso, nossa iniciativa com o Pompéo Elétrico propõe uma grande parceria entre empresas fornecedoras da indústria automotiva, as quais, na expectativa de participar de um projeto de um veículo comercialmente viável agora, somem seus esforços e garantam seu lugar no mercado. Podemos ter um carro elétrico brasileiro em breve, e podemos sim ganhar o mundo, quem sabe este pequeno valente não repetirá o sucesso do Fusca, nas novas famílias brasileiras e do mundo, famílias pequenas, urbanas, sem tempo e sem espaço, e empresas que buscam a sustentabilidade e o respeito ao meio ambiente, além do conforto e satisfação de seus clientes e colaboradores?

O Pompéo está para rodar seus primeiros quilômetros em Jaraguá do Sul, e já contamos com um pool de empresas de ponta que sustentam o desenvolvimento de nosso veículo elétrico de baixo custo. E alta tecnologia.

No dia 25/05, em Brasília, o Ministro da Fazenda divulgará o relatório preliminar do grupo de estudos do veículo elétrico  - a FIEL estará presente -, e deverá lançar um pacote inicial de incentivos e investimentos. Nós esperamos que essa iniciativa possa beneficiar de uma forma mais ampla nosso país. Para que tenhamos, a partir desta oportunidade única, a capacidade de construir no Brasil empresas brasileiras, que venham a se tornar multinacionais automotivas, como fez o Japão, a Coréia do Sul, e vêm fazendo a Índia e a China.

Carlos Motta